Rede de Proteção de Jornalistas e Comunicadores

Ataques contra jornalistas cresceram em 26,9%, em 2022, diz Abraji

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Neste ano, houve um assassinato e dois casos de violência sexual. Tais resultados definem que, até o momento, 2022 é um dos anos mais violentos para o jornalismo brasileiro

Por: Isabela Alves

Entre janeiro e abril de 2022, ocorreram 151 casos de agressão física e verbal contra jornalistas no Brasil. Além disso, os profissionais também tiveram que lidar com situações graves como restrições de acesso à informação, ataques de negação de serviço na internet, exposição de dados pessoais, processos civis ou penais, assassinatos, assédio sexual e uso abusivo do poder estatal.

As informações foram divulgadas em um relatório produzido pela Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), que está acompanhando a situação da liberdade de imprensa no Brasil durante o ano eleitoral. 

A violência contra jornalistas aumentou em 26,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Neste ano, o tipo de agressão mais comum continua sendo as falas estigmatizantes, presente em 66,9% dos casos. O discurso de ódio também foi a principal forma de violência contra os profissionais em 2019, 2020 e 2021. 

Houve o aumento de 12 casos de violência verbal, em comparação ao ano anterior. A categoria “agressões e ataques”, que engloba casos de violência física, atentados e ameaças explícitas, aumentou em 80%. 

Neste ano, houve um assassinato e dois casos de violência sexual. Tais resultados definem que, até o momento, 2022 é um dos anos mais violentos para o jornalismo brasileiro. 

Ataques à imprensa vindas de agentes do Estado

Do total de casos registrados, 70,2% dos ataques vieram de atores relacionados ao Estado, sendo que 57,6% tiveram a participação de figuras que cumprem mandatos em cargos eletivos. 

Dos 106 ataques perpetrados por atores estatais, 70 (66%) envolveram um ou mais membros da família Bolsonaro, que compreende o presidente da República e seus filhos com mandatos eletivos. 

Jair Bolsonaro (PL) foi agressor em 32 casos, seguido pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), com 23 ataques. Depois, há o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), com 12 casos, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com 8. 

Na maioria dos casos, os principais alvos foram a imprensa brasileira de modo geral (77,1%); meios de comunicação (31,4%) como O Globo, Folha de S.Paulo, Estadão, Veja, O Antagonista e Metrópoles; além de vitimarem repórteres e comunicadores (25,7%); e editores ou diretores de empresas de mídia (1,4%).

Violência de gênero

Dos ataques analisados durante o período de janeiro e abril de 2022, 29 ataques foram destinados a jornalistas mulheres no Brasil. Foram 7 casos de violência explícita de gênero contra 8 comunicadoras e 1 comunicador, alvo de ataques homofóbicos.

Os dados de 2021 estão disponíveis em um relatório publicado em português, inglês e espanhol

Fonte: Abraji

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