Rede de Proteção de Jornalistas e Comunicadores

Jornalista Patrícia Campos Mello vence ação contra presidente por insinuação sexual

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O ataque, feito em 2020, foi motivado após a repercussão de reportagens que revelaram um esquema de disparos de mensagens em massa nas eleições de 2018

Por: Isabela Alves

A Justiça de São Paulo condenou o presidente Jair Bolsonaro a pagar uma indenização de R$35 mil à jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de São Paulo, após insinuação de cunho sexual. A condenação ocorreu por quatro votos a um pela 8ª Câmara de Direito Privado do Tribunal. 

O ataque, feito em 2020, foi motivado após a repercussão de reportagens produzidas pela jornalista que revelaram um esquema de disparos de mensagens em massa contra o PT (Partido dos Trabalhadores) nas eleições de 2018.

Em entrevista, Bolsonaro disse que a jornalista “queria dar o furo a qualquer preço contra mim”. No meio jornalístico, furo é o termo utilizado para designar informação exclusiva. Após esse comentário, Patrícia denunciou que recebeu “uma avalanche de ameaças, menções a estupro e memes pornográficos e com referências a sexo anal”.

O ataque do presidente foi uma referência a um depoimento na CPI das Fake News, realizada no Congresso Nacional, feito por Hans River do Nascimento, ex-funcionário de uma agência de disparos de mensagens em massa por WhatsApp e fonte da reportagem de Patrícia. 

Sem apresentar provas, Hans disse no depoimento que a repórter queria “um determinado tipo de matéria a troco de sexo”. A fala foi compartilhada em seguida nas redes sociais pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do presidente.

Em março de 2021, Bolsonaro foi condenado em primeira instância a indenizar a repórter em R$ 20 mil. O presidente entrou com recurso e o caso foi levado ao TJ. 

A relatora do caso, Clara Maria Araújo Xavier, votou na semana passada pela manutenção da condenação e ainda pediu o aumento da indenização para R$ 35 mil. Na sua fala, ela afirmou que “o apelado (Jair Bolsonaro) proferiu discurso ofensivo, desrespeitoso, machista e mentiroso contra ela, utilizando-a de subterfúgio inescrupuloso para desacreditá-la como profissional e como mulher”.

Em suas redes sociais, nesta quarta-feira, Patrícia comemorou a decisão do TJ-SP e afirmou se tratar de “uma vitória de todas nós mulheres”.

Fonte: O Globo e Revista Marie Claire

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