Rede de Proteção de Jornalistas e Comunicadores

Secretaria da Justiça abre processo contra deputado por ofensas a Vera Magalhães

Caso seja considerado culpado, o deputado bolsonarista Rodrigo Garcia terá que pagar ao Estado uma multa de quase R$ 16 mil

Por: Isabela Alves

A Secretaria da Justiça de São Paulo abriu um processo administrativo contra o deputado bolsonarista Douglas Garcia (Republicanos) por ofender a jornalista Vera Magalhães no final do debate da TV Cultura entre candidatos ao governo do Estado de São Paulo, em 14 de setembro.

A Secretaria entendeu que o parlamentar infringiu a lei estadual que veda atos de discriminação contra a mulher. Caso seja considerado culpado, Garcia terá que pagar ao Estado uma multa de quase R$ 16 mil. 

Em nota, a Secretaria da Justiça informou que o processo administrativo ficará em sigilo até a decisão final. Até o momento, o deputado afirmou que não teve acesso ao processo e por isso não irá se manifestar. 

O caso 

Após o debate dos candidatos ao governo de São Paulo, Garcia repetiu a frase utilizada pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) no debate presidencial da TV Bandeirantes, em 28 de agosto, e afirmou que a jornalista é “uma vergonha para o jornalismo”. 

No momento da confusão, o jornalista Leão Serva, mediador do debate, pegou o celular do deputado e o arremessou longe. Em entrevista, o apresentador afirmou que o assédio do parlamentar à jornalista é antigo e que tomou tal atitude na intenção de conter o político.

Por conta do ataque, a jornalista precisou ser escoltada por seguranças do Memorial da América Latina. Em sua conta do Twitter, ela afirmou: “Esse tipo de postura vinda de um parlamentar é inaceitável, intolerável na democracia. Não será um truculento, nem dois, que irão me intimidar a continuar fazendo meu trabalho. O deputado tem o meu contrato, porque o requereu. Mente reiteradamente. Agride mulher. Não vai me calar”. 

Em nota, diversas organizações ligadas à defesa da liberdade de expressão manifestaram repúdio à atitude de Douglas Garcia e solidariedade a Vera Magalhães.

O Instituto Vladimir Herzog também se manifestou. No entendimento da organização, trata-se de mais um episódio absolutamente inaceitável e precisa ser devidamente punido pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. 

“Não se pode admitir que um parlamentar, eleito para representar o poder que emana do povo e zelar pela Constituição, cometa tal ato de violência contra uma jornalista. Ao atacar Vera Magalhães, o deputado revela todo seu machismo, sua misoginia e uma incrível incompreensão do papel da imprensa na sociedade – características totalmente incompatíveis com o cargo público que ocupa”, completa a nota.

Fonte: G1 e Valor Globo

Imagem: Reprodução G1/São Paulo

Pular para o conteúdo