Rede de Proteção de Jornalistas e Comunicadores

Jornalista inglês e indigenista brasileiro continuam desaparecidos na Amazônia

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Diversas organizações ligadas à proteção e defesa da liberdade de expressão expressaram apreensão pela falta de informações sobre o caso

Por: Isabela Alves

Seguem desaparecidos o jornalista Dom Philips, colaborador do jornal inglês The Guardian, e o indigenista Bruno Araújo Pereira, servidor licenciado da Funai (Fundação Nacional do Índio). 

Eles foram vistos pela última vez na manhã do último domingo (5) no rio Ituí, enquanto se deslocavam da comunidade ribeirinha de São Rafael até a cidade de Atalaia do Norte, município do Amazonas.

Após as primeiras 24 horas do desaparecimento, diversas autoridades e órgãos se manifestaram em prol de medidas para localizar os profissionais. 

Na segunda-feira, 11 organizações ligadas à proteção e defesa da liberdade de expressão e de imprensa no Brasil encaminharam um documento aos ministros da Justiça e Segurança Pública expressando apreensão pela falta de informações sobre o caso.

Em entrevista ao portal da Amazônia Real, uma fonte afirmou que o jornalista e o indigenista foram vítimas de uma emboscada. A testemunha faz parte de uma equipe de 13 vigilantes que circulavam com o jornalista na região e, segundo ela, indigenistas locais haviam alertado sobre os riscos da dupla seguir sozinha pelo rio.

Por volta das 4 da tarde do domingo, Dom e Bruno avisaram que iriam conversar com o ribeirinho conhecido pelo nome de “Churrasco”, presidente da comunidade São Rafael. 

A suspeita é de que “um traficante mandou o 60 (HP do motor) para lá exatamente esperando a vinda do Bruno, porque com certeza existe informante na cidade (de Atalaia do Norte) e tinha a informação de que o Bruno ia chegar na região”. Com isso, o grupo que acompanhava Bruno e Dom iniciaram as buscas partindo da última aldeia visitada por eles.

Os homens identificados como “Churrasco”, presidente da Associação da Comunidade São Rafael, e outro chamado de “Janeo”, foram detidos para prestar depoimentos pela Polícia Civil. Outras três pessoas identificadas como “Pelado”, “Nei” e “Caboclo” prestaram depoimento, mas ainda não houve prisões nas investigações.

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Em nota, o Instituto Vladimir Herzog manifestou profunda preocupação com os desaparecimentos: “Permaneceremos atentos aos desdobramentos do caso e, acima de tudo, prestamos solidariedade aos amigos e familiares de Bruno e Dom, nos colocando à disposição de todos para colaborar com as buscas e auxiliar no que for necessário. Por fim, reiteramos publicamente a necessidade de que as autoridades responsáveis, como a Polícia Federal e a Marinha, se dediquem de forma absolutamente prioritária à busca dos dois desaparecidos”.

Fonte: Jornalistas Livres, BBC Brasil e O Globo

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