Rede de Proteção de Jornalistas e Comunicadores

Jornalistas em Camaçari, na Bahia, são vítimas de assédio judicial

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Profissionais dos portais Camaçari Agora e Compartilha Bahia foram intimidados a pagar mais de R$28 mil a vereador após notificar o gasto de dinheiro público

Por Isabela Alves

O jornalista João Leite, editor do site Camaçari Agora, e Júlio Ribeiro, editor do site Compartilha Bahia, foram intimidados pelo vereador Junior Borges, presidente da Câmara, após a divulgação de notas que noticiavam o gasto de dinheiro público de forma descontrolada. 

O episódio ocorreu em Camaçari (BA). O vereador  pede indenização de R$ 28 mil por danos morais e multa diária de R$ 1.000,00 caso não sejam removidas da internet as notas que tratam do objeto processual.

As reportagens produzidas pelos veículos de comunicação noticiaram uma viagem de quatro dias dos 21 vereadores de Camaçari para a 21ª Marcha dos Vereadores. 

Além dos gastos por conta da companhia de seus assessores, os vereadores espalharam outdoors na cidade com a foto destacada do presidente da Câmara publicizando a participação no evento na capital federal. Segundo as notas, as ações tiveram um custo superior a R$100 mil para os cofres públicos.

Na peça judiciária, o vereador não contesta a veracidade dos fatos publicados. Apenas acusa os veículos de atentar contra sua honra e terem objetivo de prejudicar a sua imagem. 

O valor pedido na indenização e a multa diária têm clara intenção de intimidar a prática jornalística, na medida em que, se acolhido pela justiça, inviabilizaria o funcionamento dos veículos. 

O Sinjorba (Sindicato dos Jornalistas da Bahia) e a Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) emitiram uma nota repudiando o ato e ressaltaram que “neste momento, quando a democracia brasileira é constantemente ameaçada, cabe àqueles que estão imbuídos de cargos de importância política a defesa da Constituição Federal e das liberdades como imperativo ético e moral ao alinhamento do Brasil com a modernidade e o direito da sociedade à informação”. 

Fonte: Sinjorba

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