Rede de Proteção de Jornalistas e Comunicadores

Abraji identifica 453 casos de violência contra a imprensa em 2021

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Dados são da primeira edição do relatório “Monitoramento de Ataques a Jornalistas no Brasil”, lançado na quinta-feira (7).

Por Gabriela Costa

No Dia do Jornalista (7), a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) lança a primeira edição do relatório “Monitoramento de Ataques a Jornalistas no Brasil”. O documento reúne dados e análises sobre os casos de violência contra a mídia no Brasil e identificou 453 ataques, tanto contra veículos de comunicação quanto contra os próprios profissionais.

O relatório também identificou que quase 70% desses episódios foram realizados por agentes estatais, dentre estes, o presidente Jair Bolsonaro é responsável por cerca de 30%: foram 89 ataques sozinho.

Os outros episódios estão ligados a ministros, assessores e filhos com mandatos efetivos (55% do total). O número ainda pode chegar a 60% se forem acrescentados os casos de violência por parte de manifestantes e apoiadores do atual governo.

O documento também demonstra o aumento significativo da violência contra esses profissionais nos últimos anos. Só entre 2020 e 2021, o número de casos aumentou em 23,4%. Os dados de 2019 até este ano são ainda maiores: os ataques aumentaram em 248,5%.

Um dos recortes diferentes realizados pelo relatório foi a questão do gênero: 49,5% dos ataques foram embasados nas orientações sexuais ou gêneros dos jornalistas. 

A principal forma de ataques identificada pela Abraji foi a agressão verbal (74,6% do total dos casos). A segunda categoria, “ataques e agressões”, engloba ameaças, destruição de equipamentos, violência física, entre outras, e representa 19% dos episódios. 

Logo após, há o grupo de processos e sentenças judiciais (4,2%), ataques ligados à internet (2,6%), como limitações e hackeamentos, restrições de acesso à informação (2,4%) e uso abusivo do poder estatal (0,6%).

O relatório é fruto do acompanhamento anual realizado há nove anos pela Abraji. Em 2019, este monitoramento passou a participar da rede latino-americana Voces Del Sur e sendo publicado todo ano no Relatório Sombra.

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