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Repórteres relatam que Ministério da Saúde está dificultando cobertura jornalística da Covid-19

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A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) já denunciou a falta de transparência da pasta em duas ocasiões

Por: Isabela Alves

Repórteres que realizam a cobertura da vacinação infantil e o apagão dos dados epidemiológicos relataram que o Ministério da Saúde está dificultando a cobertura jornalística sobre a pandemia de Covid-19. As denúncias foram registradas pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).

Em 21 de janeiro de 2022, data do anúncio da inclusão da Coronavac para o público de 6 a 17 anos no Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra Covid-19, os repórteres que estavam no saguão do Ministério da Saúde foram chamados para uma coletiva.

Os jornalistas presentes avisaram aos outros colegas de profissão, que não estavam presentes, que eles não teriam a oportunidade de registrar o evento até então. Após o anúncio, iniciou-se uma transmissão pelo Facebook e, na ocasião, a pasta não havia informado que haveria pronunciamento e que seria transmitido nas redes sociais.

Os jornalistas informaram que os avisos de coletiva têm sido feitos sem aviso prévio desde dezembro de 2021 e, nestas ocasiões, os profissionais estavam cobrindo assuntos de grande importância pública, como o ataque hacker ao Ministério da Saúde e o debate da imunização de crianças.

Em determinados eventos, o Ministério limita a presença de cinegrafistas e repórteres cinematográficos, sob alegação de prevenção sanitária contra a Covid-19. Ainda, nas ocasiões em que a participação dos jornalistas é permitida, não é possível fazer perguntas ao ministro Marcelo Queiroga.

Os repórteres afirmam que são atendidos pelo ministro em frente à portaria do Ministério da Saúde, mas que no fim das coletivas são impedidos de fazer perguntas pelos seguranças da pasta. A falta de transparência coincidiu justamente em um momento em que o ministro Queiroga impôs dificuldades ao início da imunização pediátrica, ao dizer que a aplicação da vacina seria apenas possível mediante prescrição médica

Em outra ocasião, nos dias 10 de dezembro a 14 de janeiro, houve o apagão de dados sobre a baixa testagem para a Covid-19 no país, o que dificultou a análise sobre o surto da variante ômicron. Após o ataque cibernético, não foi possível fazer o monitoramento de casos, internações e mortes. Os dados de vacinação também foram comprometidos. 

O acesso ao Painel Coronavírus Brasil foi restabelecido apenas em 17 de janeiro, mas muitos usuários relatam que seus dados vacinais não foram atualizados no aplicativo ConectSUS.

A Abraji denunciou a falta de transparência em duas outras ocasiões: primeiro pela quantidade parca de coletivas de imprensa e depois pela qualidade insuficiente dos dados disponíveis sobre a crise sanitária.

Fonte: Abraji

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